Potencial do biodiesel na descarbonização marítima

Um dos estudos realizados investigou a viabilidade do biodiesel brasileiro como uma opção sustentável para o transporte marítimo. Este tipo de combustível se alinha com as diretrizes da Organização Marítima Internacional (IMO), que objetiva reduzir as emissões de gases de efeito estufa provenientes do setor naval. O transporte marítimo é responsável por cerca de 3% das emissões de CO2 globalmente e, conforme as expectativas, combustíveis com baixa emissão podem representar aproximadamente 64% da diminuição necessária até 2050.

O Brasil, sendo o terceiro maior produtor de biodiesel do mundo, produziu 9,1 bilhões de litros em 2024, por meio de 58 usinas. As matérias-primas predominantes na produção incluem soja, que responde por 72,4%, e sebo bovino, que corresponde a 6,4% da produção total. A pesquisa analisou o ciclo de vida do biodiesel, desde a produção até a utilização nos motores dos navios, evidenciando que suas emissões são consideravelmente menores do que as geradas pelo óleo combustível pesado tradicional.

Entretanto, um ponto crítico na pesquisa foi identificado: o metanol utilizado na fabricação do biodiesel contribui significativamente para as emissões. A substituição do metanol por etanol poderia reduzir consideravelmente esse impacto ambiental. Os pesquisadores destacam que, além de suas vantagens ambientais, o biodiesel brasileiro possui uma infraestrutura robusta e a capacidade de escalar sua produção, o que o torna um componente vital na transição energética do transporte marítimo.

Uso de resíduos da indústria do aço na agricultura

Outra investigação enfocou a utilização do silicato de cálcio e magnésio (SCM), um produto derivado da escória da indústria siderúrgica, como um corretivo de solo em lavouras de milho no Mato Grosso. Este método segue o conceito de economia circular, onde resíduos de um setor se tornam insumos para outro. O uso do SCM poderia, potencialmente, substituir parcial ou totalmente o calcário agrícola comumente empregado.

Os pesquisadores realizaram comparações entre três cenários: uso somente de calcário, combinação de calcário com SCM e substituição total do calcário por SCM. Os resultados demonstraram uma redução progressiva nas emissões de gases de efeito estufa, com uma diminuição de aproximadamente 15% nas emissões de dióxido de carbono equivalente quando o SCM substituiu completamente o calcário. Contudo, a pesquisa sugere cautela, recomendando estudos adicionais para verificar se a aplicação excessiva do material, mesmo que dentro dos limites regulatórios, não aumentaria os riscos à toxicidade humana e à ecotoxicidade em ambientes aquáticos.

Os autores concluíram que o desempenho do SCM equiparou-se ao do calcário convencional, enquanto proporcionou benefícios significativos ao reduzir as emissões de CO2 e ao fomentar a reutilização de resíduos industriais.

Novas métricas para avaliar impactos ambientais

A pesquisa também trouxe à tona a importância de discutir a distribuição dos impactos ambientais relacionados aos fertilizantes em sistemas de cultivo que envolvem múltiplas culturas ao longo do mesmo ano agrícola. Um estudo focou em um sistema de cultivo de soja e algodão em Mato Grosso, abordando como os impactos dos nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio são frequentemente atribuídos apenas à cultura em que foram aplicados.