Recorde no abate de bovinos
O número de bovinos abatidos no Brasil alcançou a marca histórica de 42,94 milhões em 2025, registrando um aumento significativo de 8,2% em comparação ao ano anterior. Esse resultado, que se traduz em 3,25 milhões de cabeças a mais, não apenas marca o maior volume já registrado nas estatísticas, mas também superou o recorde anterior de 2024. Vale ressaltar que todos os trimestres de 2025 mostraram crescimento em relação aos mesmos períodos do ano anterior.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apresentou os resultados completos da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais.
Altas taxas de crescimento em suínos
O abate de suínos em 2025 também estabeleceu um novo recorde, totalizando 60,69 milhões de cabeças, o que representa um crescimento de 4,3% sob o volume de 2024. Esse aumento ocorreu em 15 dos 26 estados que participam da pesquisa, consolidando a trajetória ascendente do setor ao longo dos anos.
- Santa Catarina foi o estado que mais contribuiu, com 28,2% do abate nacional.
- O Paraná e o Rio Grande do Sul também figuraram entre os principais estados, representando 21,2% e 17,9% do total, respectivamente.
O aumento no abate de suínos é um reflexo do mercado interno aquecido e da demanda por carne suína, que se mantém estável em razão das exportações, além do controle eficaz dos custos de produção.
Frangos também marcam novo recorde
A produção de frangos no Brasil igualmente bateu recordes em 2025, com 6,69 bilhões de cabeças abatidas, marcando um aumento de 3,1% em relação ao ano anterior. Essa produção não apenas se destacou pelo volume, mas também pela participação expressiva em 23 estados participantes da pesquisa.
Entre os estados, o Paraná foi o que mais contribuiu, com 34,4% do abate nacional, seguido de Santa Catarina (13,7%), Rio Grande do Sul (11,4%) e São Paulo (11,3%). Esse resultado demonstra a força e a competitividade do setor avícola brasileiro, que se adapta constantemente às demandas do mercado.
Fatores impulsionadores do crescimento
Diversos fatores têm impulsionado o crescimento do abate de bovinos, suínos e frangos no Brasil:
- Alta demanda interna: O consumo por parte da população brasileira tem se mantido elevado, o que incentiva o crescimento da produção.
- Exportações em alta: O aumento nas exportações, que atingem novos mercados, tem sido um forte motor de incentivo ao abate e, consequentemente, à produção.
- Ajustes na produção: A indústria tem se adaptado com eficiência, equilibrando oferta e demanda e mantendo preços favoráveis aos produtores, principalmente em momentos de excedente na oferta.
- Mercado estável: O controle nos custos com ração e insumos, aliado à recuperação da demanda, permite ao setor lidar melhor com os desafios econômicos.
A influência das exportações
As exportações têm exercido um impacto significativo sobre a produção de carnes no Brasil. Países como as Filipinas se destacam como principais destinos, absorvendo 25,8% das exportações de carne suína. Esse cenário é essencial não apenas para sustentar a produção, mas também para garantir a rentabilidade dos produtores, que se beneficiam de mercados externos que valorizam os produtos brasileiros.
Além disso, as exportações contribuem para o fortalecimento da indústria, proporcionando uma fonte adicional de receita que pode ser reinvestida em melhorias produtivas e tecnológicas.
Mudanças no comportamento do consumo
O comportamento do consumidor brasileiro tem mostrado tendências que impactam diretamente o mercado:
- Há um aumento da preferência por carnes de qualidade e por produtos que atendem a padrões de sanidade e segurança alimentar.
- Os consumidores estão cada vez mais atentos às origens dos alimentos, influenciando a escolha por produtos provenientes de práticas de produção mais sustentáveis.
- O crescimento de dietas que incluam mais proteínas vegetais desafiou o setor a diversificar, mas a carne continua sendo uma das principais fontes de proteína consumidas.
Essas mudanças têm exigido que os produtores se adaptem para atender às exigências do mercado, incentivando inovações e melhorias na qualidade da carne oferecida.
Comparativo entre regiões do Brasil
Os dados da pesquisa mostram variações significativas na produção de carne entre as diversas regiões do Brasil:
| Região | Participação (%) no Abate de Bovinos | Participação (%) no Abate de Suínos | Participação (%) no Abate de Frangos |
|---|---|---|---|
| Sul | 50,4 | 49,2 | 60,5 |
| Centro-Oeste | 28,5 | 15,4 | 15,0 |
| Sudeste | 15,1 | 20,0 | 19,0 |
| Nordeste | 6,0 | 9,8 | 5,0 |
| Norte | 0,0 | 5,6 | 0,5 |
As regiões Sul e Centro-Oeste se destacam pela expressiva participação nas exportações e na produção, sendo fundamentais para o abastecimento interno e externo.
Impacto da demanda interna
A demanda interna tem se mostrado robusta, especialmente com a crescente classe média, que requer maior disponibilidade de proteínas. Este cenário, aliado à globalização, permite que o Brasil se posicione como um dos principais exportadores de carne do mundo. O mercado interno é essencial para equilibrar os volumes produzidos e garantir o abastecimento pese a variações de mercado global, as quais são inevitáveis.
O fortalecimento de programas de incentivo à produção sustentável e à qualidade têm também contribuído para aumentar a aceitação e a valorização dos produtos nacionais.
Desafios futuros para a pecuária
Apesar dos bons resultados, o setor pecuário brasileiro enfrenta desafios que precisam ser superados:
- Sustentabilidade: A pressão por práticas agrícolas mais sustentáveis tem crescido, o que demanda inovações constantes por parte dos produtores.
- Custo de produção: O aumento nos custos de insumos pode impactar a margem de lucro dos produtores, exigindo eficiência e planejamento.
- Regulamentações: É necessário estar sempre atento às mudanças legais e regulamentações nacionais e internacionais que podem afetar o comércio.
- Saúde animal: A Controle de epidemias como a gripe aviária ou febre suína pode impactar drasticamente a produção, exigindo estratégias e diretrizes rigorosas de biossegurança.
A capacidade de adaptação e inovação do setor será crucial para lidar com esses desafios ao longo dos próximos anos.
Perspectivas para os próximos anos
As projeções para a pecuária brasileira nos próximos anos são otimistas, com expectativa de crescimento contínuo. Entre as principais tendências que podem ser observadas:
- Foco em qualidade e segurança alimentar deverá ser prioridade, com a tendência de valorização do produto brasileiro no mercado externo.
- Crescimento nas exportações locais, que deve continuar a abrir novas portas em mercados internacionais, aumentando a receita.
- Investimentos em tecnologia e sustentabilidade devem impulsionar a produtividade e a eficiência, ajudando produtores a reduzir custos e aumentar lucros de maneira saudável.
Em suma, o cenário da pecuária no Brasil se revela promissor, com a possibilidade de continuar a alcançar recordes ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios que um mercado dinâmico apresenta.